sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Hatsu-Man #2

A Aura

Sexta-feira no colégio Asakara. Joe entrara na sala 1A (Primeiro ano, turma A) e sentara em sua cadeira. Estava tirando o livro de matemática, que seria a primeira aula, quando Shinto e Paulo chegaram até ele.

-Grande Joe! – cumprimentava Paulo, dando uma tapa nas costas do rapaz, que quase caía da cadeira. – calma cara!

-Joe, que tal sairmos esse fim de semana? – perguntava Shinto. – sabe como é. Paulo convidou a galera da sala pra sair. Ele não conhece a cidade, sabe...

-Mas... – falava Joe, enquanto arrumava sua mesa. – eu não sou de sair muito...

-Ah Joe, vamos lá cara! – reclamava Shinto. – você nunca sai! E só vai o pessoal da sala.

-E a Ayumi também vai. – comentava Paulo

-Quê? Shinto, você contou?

-Desculpa cara, foi sem querer...

-Tá bom, eu vou. – finalizava Joe, enquanto os outros dois pulavam de alegria. – agora tchau, pois o professor já chegou!

A sexta-feira foi normal, tendo seus costumes preservados. Shinto e Joe passaram o dia jogando vídeo game. Ao anoitecer, Shinto foi para sua casa e Joe foi dormir. Chegando o sábado, Joe passou a tarde na Internet (jogando) e quando chegara as seis da noite, Shinto foi a sua casa.

Ficaram das seis até as oito jogando (como sempre) e quando o relógio marcou oito horas, os dois foram sair. Paulo havia combinado de irem em um clube de dança eletrônica. Era cerca de oito e meia quando os dois rapazes chegaram ao clube combinado por Paulo.

Era um grande clube de dança eletrônica. Como todas as outras, era com músicas dançantes e rápidas, mulheres com roupas curtas, sensualidade e todo tipo de coisa imoral que Joe raramente via. Caminhavam os dois até uma enorme mesa onde estavam os colegas de classe. Ao chegarem, Joe rapidamente cumprimentou Paulo e corria para a cadeira mais afastada da mesa. Shinto por sua vez, cumprimentava alegremente o brasileiro e conversavam. Para Joe, aquela noite seria um saco. O garçom lhe atendera, lhe perguntando se queria alguma bebida. Joe pediu uma água, o que estranhou o garçom acostumado com pedidos de bebidas alcoólicas.

Já eram por volta das dez e meia e Joe permanecia ali sentado, bebendo seu vigésimo copo com água. O garçom chegava com outro copo com água e ao sair, Joe falou com uma voz meio baixa:

-Agora quero refrigerante de limão, certo?

Até que Shinto e Paulo sentaram-se cada um a um lado do rapaz. Shinto dava-lhe palmadas nas costas, enquanto Paulo comentava em tom desapontado.

-Poxa Joe, você continua aí sentado... Vamos nos animar cara! Se quiser, te arranjo a Ayumi!

-Quê? – exclamava o pobre Joe, assustado – Deixa pra lá...

-Esquece Paulo, só o fato de o Joe ter vindo já é muito. Vamos cair na zoeira!

Os garotos deixaram Joe lá e dirigiram-se até a pista de dança. Joe continuou a beber seu refrigerante de limão, até que retirou do bolso um game boy junto com um cartucho e ficar a jogar ali, sozinho na enorme mesa do clube. Passou-se o tempo e chegou à meia noite. Todos já estavam cansados e resolveram ir embora todos juntos. À medida que caminhava, o número do grupo diminuía, pois um ou outro entrava em sua rua e despedia-se dos demais.

Chegando por volta de uma da madrugada, estavam Joe, Shinto, Ayumi, Paulo e mais três rapazes. Já estavam quase chegando na casa dos irmãos Shonto e Shoro, quando um homem de má aparência aproximou-se dos jovens. Ayumi deu um grito após ver que o estranho estava armado.

-Corram! – mandava Paulo, com um olhar frio.

Todos correram menos Joe, que tremia tanto que não conseguia mover-se. O ladrão mandou Paulo entregar tudo que tinha, caso contrário seria alvejado. O brasileiro dava uma alta risada e respondia com uma voz revoltante.

-E vai fazer o quê? Despentear meu cabelo?!

Os segundos pareciam lentos como horas. Em apenas cinco segundos, uma coisa que Joe jamais imaginou acontecer... Aconteceu!

No momento que o ladrão retirou a pistola, Paulo emanou uma aura verde em sua volta, para espanto de Joe. O ladrão deu um disparo em direção ao brasileiro. Paulo rebateu com um soco contra a bala! E o mais espantoso foi o que veio logo após tal movimento.

A bala voltou e acertou de raspão o braço do ladrão, cuja qual portava a arma. O ladrão ficara tão assustado que caíra no chão e desmaiara logo depois. Joe ficava assustado com tamanho feito e começou a correr, mas fora impedido por Paulo.

-Joe – falava Paulo, que segurava o amigo pelo braço. – Quero que guarde segredo sobre isto. Precisaremos conversar na segunda-feira.

Passado o tempo, chegou segunda-feira. Joe chegava atrasado, como de costume, em sua sala de aula. Este caminhava até a sua mesa e arrumava sua mochila, tirando o material da primeira aula. Estava retirando seu estojo, quando Shinto chegara até ele. O loiro sentava-se ao lado e agarrava Joe pelo pescoço.

-E ai amigão! Fim de semana foi pirado!

-É... Foi. Onde está o Paulo?

-O Paulo? – perguntou Shinto. – As garotas pediram para ele sentar-se com elas, lá na frente.

-Ah ta.

Passaram-se os primeiros tempos e Paulo sequer falou com Joe. Ele estava ocupado com as garotas e é claro que não ia lembrar-se do anti-social da sala. Durante o intervalo, Joe lanchou sozinho naquele dia. Shinto teve que falar com a professora de biologia sobre alguns erros em sua prova. Até que um garoto, Kenzo Yamada, entrou na sala e caminhou até Joe.

-Joe. – chamou Kenzo. – Paulo mandou este bilhete.

-Ah, obrigado. – agradecia Joe, enquanto pegava o bilhete que Kenzo entregava.

Joe ficava se perguntando no que seria aquele tal bilhete. Paulo poderia muito bem vir falar com ele. Ah, mas agora Joe lembrou-se de que o brasileiro estava ocupado, paquerando as japonesas. Kenzo saía da sala e Joe colocava o tal bilhete no bolso. Terminava o seu lanche e sentou-se em sua cadeira. Retirou o bilhetinho e pôs no centro da mesa, lendo com atenção.

“Caro Joe, preciso comentar sobre o fato que ocorreu durante o fim de semana, naquela hora da aparição do bandido. Encontro com você no parquinho abandonado. Até.”


Um encontro? Mas por qual motivo? Joe lembrou-se da cena do assalto como se acabasse de acontecer. Lembrou da estranha aura verde em Paulo... Sim, é isso! O brasileiro vai contar-lhe sobre aquela estranha aura verde que abalou a mente de Joe até hoje. Tocou o sinal e instantes depois, alguns alunos começaram a entrar na sala de aula. O rapaz pegou o papelzinho do bilhete e guardou novamente no bolso de sua calça. Ficou ansioso para encontrar seu amigo.

No fim da aula, Joe falou para Shinto que sairia sozinho para dar umas voltas na região por trás da escola, onde ficava o tal parque abandonado. O jovem caminhava pelas ruas da região, que eram muito pouco movimentadas. Lá na frente, ele avistava o parquinho, que estava abandonado. O parque estava abandonado, pois em breve vão derrubá-lo e criar um novo prédio para a cidade. Algumas pessoas tentaram protestar, mas foi tudo em vão. Daqui a um mês o parquinho será derrubado. Joe sentou-se em um dos três balanços e começou a balançar-se. O parquinho tinha balanço, escorregador e alguns outros brinquedos. No meio, estava uma árvore muito velha, que seria a primeira coisa a ser derrubada naquele lugar. Permaneceu balançando-se no brinquedo, até que uma voz conhecida ecoou no local.

-Olá Joe!

-Paulo! – gritava Joe, que caía do brinquedo ao ver o amigo pular da árvore e cair em pé.

-Calma, deixa eu te ajudar. – falava o brasileiro, ajudando Joe a levantar-se. – Que bom ver que veio.

-Sobre o que quer conversar? – perguntou o garoto, olhando seriamente para o amigo e voltando a falar. – Sobre aquilo do fim de semana?

Paulo convidou o amigo para sentarem-se em um banco do parquinho. Era um típico banquinho de praça, de cor branca. Paulo parecia meio que nervoso, mas deu um longo suspiro e começou a falar.

-Joe, aquilo verde em torno de mim era a Aura. Todos os seres possuem-na, mas não é qualquer um que consegue utilizá-la. São longos treinos e não é fácil. Bem, quero ir logo ao assunto. Joe, eu te escolhi para ensinar-lhe a usar a Aura. Topa?

-QUÊ? – exclamava Joe, muito assustado.

Aquilo deixou o rapaz muito pirado. Aura? Será tudo verdade? Sim, era verdade sim! Mas ele aprender aquilo? Logo ele, que era um fraco e anti-social? Com todas essas perguntas, Joe levantou-se e saiu correndo. Correu o máximo que pôde, chegando longe. Chegava quase em casa, encontrando Shinto na rua. Só que havia alguém. Era um homem alto, portando uma arma de fogo na mão! Sim, era um assaltante! O bandido parecia querer atirar em Shinto. Joe sentiu uma espécie de raiva transpassar todo seu corpo e focalizar-se em seu punho. Não podia perder o único amigo que teve em toda vida! Eis que ele aproximou-se do meliante e lhe deu um soco no queixo, fazendo-o voar longe e desmaiar no chão. Shinto olhava perplexo para Joe e para o assaltante.

-Vá para casa, Shinto... Preciso ir ali e volto logo...

Com aquelas palavras, Joe percebeu as palavras de Paulo. O amigo queria conceder-lhe aqueles tais poderes, para que fossem usados para a justiça. Com a aura, agora Joe teria algo a cumprir na vida: salvar as pessoas, assim como acabou de salvar seu amigo Shinto.

Minutos depois, Paulo continuava sentado no banco da praça. Ele olhava para os céus, ocupado com seus profundos pensamentos. Até que fora interrompido por alguém que acabara de chegar. Este era Joe, que respirava como quem tivesse corrido muito. Seus punhos estavam fechados e os braços soltos.

-Paulo, quero que me ensine a aura!

1 comentário

Jefferson Prime

caramba cara achei bem legal...vc escreve bem e com fluência....massa...

confere:
http://eitapreulacampina.blogspot.com/

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